Aula 2 – História da Educação – Período Romano

Antiguidade Romana: a humanitas.

Humanitas – conceito abrangente da cultura universalizada predominantemente humanística, sobretudo cosmopolita e universal que busca o que caracteriza o ser humano em todos os tempos e lugares.
Concepção, valorizada por Cícero, que se estendia à formação do indivíduo virtuoso, como ser moral, político e literário.

Com o tempo, porém, a humanitas degenerou para o estudo das letras desvinculando-se das ciências.
O estudo da educação romana pode ser separado em 3 fases, que acompanham a evolução histórica da civilização romana:
Período da Realeza – educação latina original, de natureza patriarcal;
Periodo da República – influência do helenismo, que sofre com críticas dos tradicionalistas;
Período do Império – fusão entre a cultura romana e helenística, que supunha elementos orientais, com nítida prevalência de valores gregos.
Uma influência comum a todas as épocas é o papel da família, aspecto forte da antiga educação representado pela onipotência paterna – sem perder o afeto – e o papel efetivo da mulher, a mãe romana.

Período da Realeza – Educação heróico-patricia – repete-se em Roma o mesmo padrão grego da separação dos membros da sociedade em patrícios, os aristocratas de nascimento, proprietários rurais e guerreiros, e os plebeus, homens livres, camponenes artesãos, comerciantes, mas sem direitos políticos.  Partindo deste quadro, a atividade da educação objetivava manter os valores da nobreza e cultuar os ancestrais.  Haviam fases na educação da criança, com a primeira indo até os 7 anos, período em que a criança ficava com a mãe, ou outra mulher respeitável.  A partir desta idade, as meninas se encaminhavam para os serviços domésticose os meninos acompanhavam o pai que, então, se encarregava da educação do filho.  O rapaz cumpria com determinadas atividades, incluindo a memorização da Lei das Doze Tábuas, que lhe permitiam desenvolver sua consciência histórica e patriotismo.  Aprendia a cuidar da terra, como membro de uma sociedade agrícola, aprendia a ler, escrever e contar e os exercícios físicos.  Estes tinham o objetivo de preparar o guerreiro.
Aos 15 anos, aprendia o civismo, entrando em contato com os assuntos públicos e privados tratados no foro e no tribunal.  Por fim o jovem, aos 16 anos, era encaminhado para a função militar ou política.
Em suma, a educação se preocupava com a formação moral do rapaz, baseada na vida cotidiana e imitação de modelos, do pai e dos antepassados.

Período da República – Educação cosmopolita – criam-se escolas elementares particulares, as escolas do ludi magister, em que se aprendia a ler, escrever e contar, entre 7 e 12 anos.  O aprendizado era decorado e usava-se de castigos.  As conquistas da República colocam os romanos em contato com os gregos e sua cultura helenística.  Surgem então as escolas dos gramáticos, onde se ampliavam os conhecimentos literários dos jovens de 12 a 15 anos, ensinando-os sobre os clássicos gregos.  Ensinava-se também geografia, aritmética, geometria e astronomia.  Com o tempo a retórica fez surgir um terceiro grau de educação, a escola do retor (professor de retórica).  Surgiram também as escolas superiores, frequentadas pela elite, que se preparava para as assembléias e tribunas, estudando direito, política e filosofia.  A educação física continuava a interessar os romanos nesse período que focavam em artes marciais.  Em resumo, predominava a educação aristocrática.

Período do Império – Educação no Império – o Estado inicia sua intervenção na Educação porque precisa de funcionários para a máquina burocrática.  Os notários adquiriram grande responsabilidade e poder.  No início o Estado era interessado pela educação, depois sua intervenção foi aumentando até assumir total responsabilidade, controlando através da legislação, oferecendo subvenções e estimulando criação de escolas municipais. O Direito Romano, compilação de abundante material de editos de pretores, resoluções do Senado, decisões de governadores e ordenações judiciais de imperadores, era objeto de estudo por quatro a cinco anos.  Bibliotecas foram criadas.

Na Pedagogia, os romanos não davam tanta importância à reflexão filosófica, preferiam os assuntos éticos e morais, sob influência de pensadores estóicos e epicuristas, isto devido a uma postura mais pragmática voltada ao cotidiano, para a ação política.  A retórica prevalecia sobre a filosofia.  Com o tempo e o declínio do Império, a formação científica e artística foi superada pelo formalismo oco e palavreado vazio.  Muitos estudiosos sobre o tema educação debateram ao longo do tempo sobre os temas a ensinar e a abrangência do público alvo, com alguns defendendo uma educação mais sintonizada com a idéia de humanitas, mais universalista com perfil filosófico e outros preferindo aspectos técnicos como a formação do orador

Como conclusão sobre o texto percebe-se que, com a passagem do tempo e as mudanças que ocorreram na civilização Romana, a educação foi tomando um caráter mais importante no âmbito do Estado devido ao aumento na complexidade da administração deste.  Ocorre que, em todos os períodos históricos de Roma, a arte de educar permaneceu, ou até foi aperfeiçoada, como atividade necessária para o desenvolvimento e maior distinção dos indivíduos da aristocracia sobre os indivíduos das classes inferiores.  A distinção entre homens e mulheres permaneceu, com os homens recebendo maior atenção no processo educacional.

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